As missões, projetos sociais e ações solidárias são uma constante na ação da Família Agostiniana Recoleta. A Província de São Nicolau de Tolentino sempre viveu em missão, desde seu nascimento motivado pela abertura das primeiras missões de evangelização nas Filipinas no século XVII. Desde então, tem exercido sua atividade evangelizadora seguindo o mandato de Jesus nos lugares hoje chamados de “fronteira”: ali onde é necessário defender a dignidade da vida humana, a justiça social, a igualdade de oportunidades, a defesa dos mais vulneráveis.

Constituições da Ordem dos Agostinianos Recoletos

As congregações religiosas se diferenciam porque tem um estilo de vida próprio marcado por seu “carisma”, isto é, a forma de ser e fazer idealizada pelos seus fundadores e que se configura como o miolo dessa forma de vida. Com fidelidade ao carisma e com criatividade ante sua prática, nos diferentes contextos históricos e geográficos, as Constituições expressam esse carisma em forma de leis próprias.

Quando uma pessoa se integra numa ordem religiosa professa publicamente essas Constituições, admite seu conteúdo programático e legislativo, se obriga a cumprir suas determinações porque vê nelas o “ideal” de vida que escolheu.

As Constituições vigentes, da Ordem dos Agostinianos Recoletos, datam do ano 2011, após um processo de renovação e adaptação ao longo de toda a História. Dado que recolhem a vida e atividade da Ordem, dedicam parte de seu texto às missões. Pode-se dizer que os Agostinianos Recoletos são missionários por lei, por obrigação, por obediência ao seu carisma e ao desejo de seus fundadores.

Os números 285 ao 299 das Constituições dos Agostinianos Recoletos estão dedicados às missões. Constatam que o trabalho missionário é “uma atividade primária da Igreja, essencial e nunca concluída”, e que a Ordem é missionária “por tradição e direito de herança”. Pedem a cada uma das Províncias que façam uma “opção clara e firme” pelas missões e as mantenham com os religiosos e recursos necessários. Todos os religiosos durante seu período de formação devem fomentar esse espírito missionário e devem estar dispostos a exercer o apostolado missionário.

A importância dada às missões se mostra no pedido de que sejam destinados às missões os religiosos que se distinguem pelo seu “zelo apostólico e audácia evangélica”, até o ponto de pedir que se enviem aqueles religiosos que se sintam chamados de modo especial para isso e se ofereçam como voluntários.

As Constituições têm recomendações diretas para os missionários: lembra-lhes que seu testemunho de vida, sua caridade e sua palavra devem ser os motores de seu trabalho. Também lhes pede inculturação e adaptação à sociedade na qual vão trabalhar, e que colaborem com espírito de harmonia com as autoridades civis “mas de forma nenhuma se aliem às injustiças nem se misturem com assuntos meramente políticos ou em interesses de partido que possam impedir ou inclusive anular seu ministério”.

Mais ainda, todos os religiosos devem cooperar e se comprometer com as missões, “de forma que os missionários sintam sempre o apoio e o afeto dos irmãos”.

Estatuto das Missões da Província

A Ordem tem um Estatuto das Missões particularmente dirigido aos gestores e aos próprios missionários. Consta de 52 números com fundamentação doutrinal, identidade do missionário agostiniano recoleto e questões práticas da atividade missionária e a animação missionária.

O Estatuto incide nos aspectos já sinalizados pelas Constituições, e dá grande importância ao testemunho pessoal de vida dos missionários, à promoção das pessoas de uma maneira íntegra, ao compromisso social, ao diálogo ecumênico e inter-religioso, à cooperação e animação, à corresponsabilidade com os leigos e ao importante papel dos superiores religiosos em seu apoio e determinação.

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