As missões, projetos sociais e ações solidárias são uma constante na ação da Família Agostiniana Recoleta. A Província de São Nicolau de Tolentino sempre viveu em missão, desde seu nascimento motivado pela abertura das primeiras missões de evangelização nas Filipinas no século XVII. Desde então, tem exercido sua atividade evangelizadora seguindo o mandato de Jesus nos lugares hoje chamados de “fronteira”: ali onde é necessário defender a dignidade da vida humana, a justiça social, a igualdade de oportunidades, a defesa dos mais vulneráveis.

a) Antecedentes

A Barra do Ceará é um extenso bairro ao norte de Fortaleza de economia precária: desemprego, famílias desintegradas e infraestrutura e serviços deficientes. Os Agostinianos Recoletos chegaram lá no ano 2000, para trabalhar em dois projetos: o Seminário Santo Agostinho e a responsabilidade pastoral de seis comunidades de base.

Não podiam ficar à margem da realidade; assim que, decidiram atender às meninas e adolescentes, uma das populações do bairro mais agredida social, psicológica e familiarmente, em risco contínuo de sofrer muitos e graves danos, desde muito cedo. Uma vez que entram na espiral do uso e abuso de seus corpos, perdem a referencia de futuro, a autoestima, a vontade, o respeito e deixam de considerar o estudo como fonte de crescimento e bem-estar.

Várias entidades atendiam aos menores na Barra, mas com poucos recursos materiais e humanos. Por outro lado, as vítimas de abuso e exploração sexual necessitam sair do contexto agressor, mas em Fortaleza poucos centros de acolhida lhes davam atenção. Para complementar as atuações, os Agostinianos Recoletos criaram um centro de acolhida e atenção integral no Condominio Espiritual Uirapurú (CEU), sede de uma associação de entidades que num mesmo espaço tem unido seus projetos sociais para mães solteiras, enfermos de AIDS, presos, meninos de rua, dependentes químicos e, com o Lar Santa Mônica, meninas em situação ou grave risco de exploração sexual comercial.

O projeto dos Recoletos se completa na Barra do Ceará e no bairro Carlito Pamplona, com as mesmas características, através de visitas domiciliares, distribuição de materiais de primeira necessidade, criação de espaços culturais e formativos com a música ou leitura, como referentes. Atualmente estas atividades desenvolvem-se no bairro de Jangurussu.

b) A dinâmica da injustiça

Em Fortaleza os bairros se diferenciam pela distribuição de riqueza; há bairros em áreas nobres, turísticas, com ruas limpas e tudo o que a sociedade oferece ao bem estar; por outro lado, bairros da periferia, com o povo amontoado e sem uma vida digna.

A Barra do Ceará tem 385 hectares com 80.000 habitantes dos quais, 41% são menores. Mais de 2.000 famílias habitam em favelas e quase 3.000 em residências ilegais e improvisadas. O piso de areia é insalubre e instável. Não existe esgoto e a luz chega através de “gatos” e linhas de distribuição precária. As famílias sobrevivem da economia submergida: 15,25% das famílias não tem ingressos fixos, e outro 30% recebem um salário mínimo ou menos. A falta de investimentos e a indiferença social para os estudos primários, fazem que 25% dos menores não esteja alfabetizado e tenham que colaborar na renda familiar.

c) Um projeto com objetivos

O Lar Santa Mônica cobre todas as necessidades das residentes: ordem, higiene, alimentação, vestuário, convivência. Ajuda-as a assumir seu processo formativo mediante a responsabilidade, o compromisso, a aceitação de valores e normas da sociabilidade, com terapias individuais e de grupo referentes ao consumo de drogas, maus tratos, exploração sexual, desintegração familiar…

Com tudo isso se busca eliminar o absentismo escolar, a insociabilidade, a violência, a falta de juízo livre e pessoal, a dependência econômica ou a desorientação quanto a uma profissão. O lazer e o jogo são âmbitos de crescimento saudável, promovido mediante o esporte, passeios pela natureza, jogos tradicionais, teatro, dança, pintura, capoeira, judô, artesanato, música e outros.

O Lar favorece o vínculo das residentes, com suas famílias e os organismos públicos e privados. O processo é muito rigoroso para cumprir todos os requisitos legais, com intervenção e auditoria das autoridades competentes. Como centro católico e agostiniano recoleto, o Lar não descuida a atenção pastoral, sem deixar de lado o respeito à própria confissão religiosa praticada pela residente.

d) Programas de intervenção

A intervenção se realiza de um modo multidisciplinar desde as diretrizes do Plano de Direitos à Convivência Familiar e Comunitária. Há quatro tipos de intervenção:

  • Formação em meio aberto nos bairros da Barra do Ceará e Carlito Pamplona: os educadores sociais atuam como agentes de mudança, de consciência crítica e transformação, que escutam, dialogam, propõem, aceitam ao menos tal como é, ajudam, oferece confiança.
  • Casa de acolhida Lar Santa Mônica: as vítimas, enviadas pelas autoridades competentes (juizado de menores, Conselho Tutelar), são preparadas para sua reinserção social, longe das condições e pessoas que as agridem.
  • Trabalho diversificado em rede mais de 18 entidades públicas e privadas para unir esforços e coordenar ações com as associações interinstitucionais de atenção ao menor.
  • Formação de jovens normalizados das proximidades do CEU aproveitando o maior tempo possível a infraestrutura do Lar Santa Mônica como um espaço de convivência sem prejuízos e exclusões sociais sobre as internas.

e) Infraestruturas

O Lar Santa Mônica é um projeto amplo, complexo e com longo desenvolvimento no tempo e em sua própria concepção. Em seu planejamento final, ainda não completamente realizada, estão as casas de acolhida, mães sociais, oficinas de formação, área de esportes, jogos e lazer, biblioteca, consultório médico, casa de voluntários, cozinha geral, salas de administração, gestão e atenção, educadores de rua.

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